O que é o assoalho pélvico?

Especialista no assunto, a Fisioterapeuta Laura Della Negra explica por que é importante dar atenção a essa região durante a gestação, no parto e pós-parto

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O assoalho pélvico é a região do corpo que fica no chão da pelve, engloba um conjunto de músculos, ligamentos e fáscias, envolvendo o clitóris, a uretra, vagina e o ânus. É responsável pela continência urinária, fecal, de flatos, por ajudar ou atrapalhar na relação sexual, dar suporte para a bexiga, o intestino e o útero, por estabilizar a coluna e, ainda, absorver impacto quando andamos ou pulamos, por exemplo.

Mas, o que isso significa?

“Esse conjunto de músculos responde em todo aumento de pressão intra-abdominal, ou seja, quando tossimos, espirramos ou movimentamos o braço, esses músculos se contraem involuntariamente. Por isso, estão o tempo inteiro ativos, e só relaxam mesmo quando a gente faz xixi, coco, no pum e durante o parto”, diz a Fisioterapeuta Laura Della Negra, especialista em assoalho pélvico.

Ela explica que podemos dividir a região em duas camadas: a primeira é mais externa e superficial e está ligada ao clitóris, à uretra e à vagina; e a camada mais profunda e a mais forte do assoalho pélvico está mais relacionada com o ânus, que corresponde a quase 90% do assoalho pélvico.

O assoalho pélvico na gestação

Durante a gravidez, a musculatura dessa região sofre alterações relacionadas à sobrecarga, pelo aumento de peso do útero sobre o assoalho pélvico, e hormonais. A bexiga também muda de posição, daí o motivo da incontinência urinária.

Laura comenta que alguns autores acreditam que a gestação é a causa das disfunções do assoalho pélvico, independentemente da via de parto, pois há uma alteração no colágeno.

“No parto cesárea, por exemplo, com o corte feito na barriga da mulher, pode ser modificada a conexão entre o abdômen e o assoalho pélvico. Isso, no longo prazo, pode trazer disfunções como incontinência urinária ou dor nas costas”, explica Laura.

Como cuidar?

Para cuidar da região durante a gestação e prepará-la para o parto, Laura explica que o mais importante é, primeiro, estar ciente da função que essa região exerce no corpo.

“Quando a gente tem consciência e sabe como o assoalho pélvico contrai, fica mais fácil aprender como controlá-lo e relaxá-lo. A prática de treinamento dessa região tem um intuito de prevenir o desenvolvimento de incontinência e fecal e preparar essa musculatura para o parto vaginal”, comenta ela.

Exercícios para o parto

Após o terceiro mês de gestação, com a liberação do obstetra, a gestante pode procurar um fisioterapeuta especializado para realizar alguns exercícios úteis. Exercícios, por exemplo, para ajudar a criar mobilidade na pelve, massagem perineal, além de exercícios respiratórios, que irão ajudar o trabalho de parto e deixar a mulher mais tranquila.

“Eu uso também o HypnoBirthing, técnica que aprendi e que ajuda a mulher a ficar mais tranquila e confiante para o parto, conectada com ela e com o bebê”, explica Laura.

Ajudar a escolher a melhor posição para o parto também é importante.

“É bom que a mulher saiba, por exemplo, que o parto vertical é melhor para ela, pois a gravidade faz toda a diferença. Afinal, fazemos xixi e evacuamos sentadas. Quando estamos a favor da gravidade, as contrações uterinas são menos doloridas”, diz ela.

Tudo isso contribui para quando o bebê chegar.

“Se a gestante se preparar, se usar técnicas de respiração e de mobilização pélvica, que ajudam o bebê a encaixar, provavelmente ela terá menos dor e, assim, terá um parto mais tranquilo”, comenta a Fisioterapeuta.

De forma geral, tudo isso será importante e benéfico para a mulher.

“Quanto mais ativa e informada a gestante estiver no trabalho de parto, e menos intervenções ela sofrer, isso pode garantir um assoalho pélvico mais íntegro e funcional, o que favorece sua qualidade de vida a qualquer tempo”, explica a Fisioterapeuta.

E no pós-parto?

Laura destaca que, 45 dias após o parto, é recomendável realizar uma avaliação com a fisioterapeuta para avaliar a musculatura do assoalho pélvico. Assim, é possível identificar alguma tensão e tratá-la ou passar exercícios para fortalecimento ou relaxamento, para melhora da postura e respiratórios, que influenciam e muito o assoalho pélvico.

“O assoalho pélvico é uma região muito importante do corpo e tem muita interferência em nossa vida sexual, porque essa musculatura está envolvendo o clitóris. Quando a mulher tem uma boa consciência sobre o assoalho pélvico, então, ela tem mais capacidade de entender o que é bom para ela”, diz Laura.

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Laura Della Negra é Fisioterapeuta especialista em reabilitação do assoalho pélvico desde 2006. Ela atua em São Paulo (SP) e mantém um perfil no Instagram sobre o tema, é o @assoalhopelvico


Você pode conferir mais sobre o assunto. É só acessar outras dicas da Fisioterapeuta Laura Della Negra em nosso Instagram

18-09-2019
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